domingo, 24 de abril de 2011

Sensações

Que mundo é esse em que vivemos? O que sentimos? Quem somos? Por que somos? Difícil colocar uma vida em palavras. Sandice. Falta nexo. Não há justificativas. Não temos onde esconder. A perda significa o fim... Será?
Às vezes (quase toda hora, ultimamente) fico pensando nessas coisas. Que vida é essa? Pois é, comecei achando que era só meter a cara que dos limões sairiam limonadas. Ha, ha! Quebrei a cara! Feio! Além disso não ser verdade, ainda tinha a cereja do bolo, afinal, não há nada tão ruim que não se possa piorar.
O que fazer quando se está num mundo que não se domina. A ansiedade, o medo se misturam e encontram pares. Completam-se. Iludem-se. É amor? E depois? E as ameaças? As exigências? A vida? Não sei. Realmente, não. Queria, mas é diferente. Alguém podia ter me contado. Eu podia ter escutado, mas não. Como sair? Fugir da solidão da frustração compromissada com sucesso? Como encarar aqueles que sabiam? Como depender deles? Como viver com a culpa do insucesso?
Chego a pensar, às vezes, que estou numa situação pior que a doença. A doença é classificada como desculpa legítima, mas o fracasso... Alguém escolhe? Não seria também uma forma de doença? Talvez, se não houvesse tanto mérito no sucesso. Penso, não seriam esses dois - o fracasso e o sucesso - uma obra do acaso, simplesmente como a doença? Tudo bem, existem agentes facilitadores. Claro, que, quem usa drogas, ou pratica sexo sem cuidados, ou salta de asa delta, ou fuma, ou não limpa a bunda direito, caçou. Caçou?
Você vive pilhado nesse mundo. Cem porcento dos seus covíveres exigem cem porcento de você o tempo todo. Até descanço é observado, pois não há comida para todo mundo. Enfim, o estopim de cada um tem um tamanho. Se não "criarmos" uma pausa, enlouquecemos, oh sim, piramos. Mas, volto a falar, cada um é cada um e cada um se pausa de um jeito próprio que é dele. Porém, aí mora um perigo. Com a guarda baixa é que cedemos a impulsos primitivos. Confundimos medo e ansiedade com amor. Concedemos mais do que podemos... E, pumba! Adoecemos, fracassamos. Mas, pergunto, quem controla o tamanho do seu próprio estopim? Não será este mais um produto do acaso? Daquela caótica junção cromossonial? Se não tivéssemos feito isso, dito aquilo... Humpf! Se, se, se... Chega! Ninguém quer o mal, principalmente para si. Vítimas, isso sim, todos somos vítimas. Meritocracia somente na utopia eleitoreira de governos ilusionistas (ou seja, TODOS). Fracasso e sucesso estão no mesmo balaio. E a tal felicidade? E o resultado final?
Já cansei de ouvir falar que felicidade é um rumo. Não sei não. Para mim está, a cada dia, se configurando que é um estado. Aliás, um estado de torpor onde você, aparentemente, está sóbrio, mas não consegue "enxergar um pau na frente do nariz". Pessimismo? Acho que não. Veja, sempre tem alguém sofrendo. Quando você consegue algo, muita gente perde. Um exemplo pontual é um concurso, onde alguns ganham e outros, claramente, perdem. Ok, alguém poderia dizer: mas isso é alegria! Como assim alegria? Tudo bem que a alegria esteja presente, mas não seria o rumo para felicidade? Seria então a alegria a responsável pelo torpor? Talvez sim. Pois passada a onda, os problemas que existem voltam a assolar o indivíduo em qualquer esfera.
Nesse caso poderia se pensar em viver de alegria em alegria, mas quem consegue? Daí voltamos ao velho DNA. Ou seja, talvez alguns, mas uma coisa é certa, cansa e escraviza. Fico pensando na sentença de Martin Luther King: O homem que não tem um motivo pelo qual morrer, não está preparado para viver. É isso, competição! O que é essa tal felicidade? Vontade de viver? Quem vive por nada? Quem quer viver por nada? A morte da esperança é o fim da vida. Alegria é o alcançar objetivos, felicidade é acordar todo dia pensando que sempre existe um objetivo e, nem que seja a duras penas você vai atingi-lo. Penso, que talvez a paz seja alcançada com a sensação de dever cumprido. Mas, a felicidade não para de nos empurrar, nem na velhice.
Fazendo um ensaio... Será, que com tudo o que se almeja na vida o cidadão pode se entitular feliz? Se sim, coitado. Principalmente em tenra idade. É muita carga. Uma sensação descabida de vazio interior. Ninguém escapa. Como diria o Selton Melo no filme Cheiro do Ralo: A vida é dura!

SK

3 comentários:

  1. O mal estar é a sensação que aflige todo vivente de uma cultura.
    Dívida, cobrança, necessidade de prestígio, ilusão, frustração...
    O segredo talvez seja não se torturar em busca da felicidade, isso parece mais ditadura do que esperança.
    É mais apropriado partir em busca de si mesmo.
    Ciomara Schneider

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  2. Todos queremos ser felizes. O que é Felicidade? Difícil...
    A meu ver , um estado de humor basal. Resiliência afetiva.
    "... levanta sacode a poeira e dá a volta por cima...".
    E a origem?
    Genética? Ambiental? Indeterminada?? Isso!! Indeterminada!!!
    Melhor admitir: Não Sabemos!!!
    Feliz é ser. Alegre, estar...
    Sou Alegre, " I am GAY"! Opss!!!
    Seu INFELIZ!! Um palavrão...
    Tolstói era infeliz. Rico, aristocrata, talentoso e infeliz...
    Seu desejo: Pobreza, simplicidade e FELICIDADE...
    Mais uma vez... Não escolhemos.
    Cristo era Deus!!!
    Feliz???
    " Jesus Chorou".
    " Pai. Afasta de mim este cálice!"
    GP

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  3. Excelente! Busca da Felicidade = Ditadura. Concordo se não considerarmos o paradoxo do outro comentário. Pois, se viver na infelicidade é inimaginável e se nunca alcançamos a felicidade, então só posso concluir que vivemos entre o nada e lugar nenhum. Mas, vivemos e existimos... Paradoxal!

    SK

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