Por estes dias manifestou-se em mim, do nada, uma dor terrível, primeiramente na barriga como um todo. Pensei causalmente e acreditei que eu tinha feito besteira. Comido algo estragado, sei lá. Vomitei, vomitei, vomitei e a dor nada de passar. Pensei: "Lá vem a diarréia". Que nada! Pensei que então o que estava me causando aquele desconforto todo era uma mera prisão de ventre. Tentei, utilizando o equipadíssimo arsenal medicamentoso da minha querida esposa, um laxante. Risco n'água! Fui para o hospital, afinal é para essas horas que pagamos os benditos seguros saúde.
Resumindo, fui examinado por cinco médicos em um dia. Todos desconfiaram, mas somente o quarto foi confiante no dignóstico: Apendicite. É, descobri que para morrer realmente basta estar vivo. Chavão, né? Mas, é o que a gente sente de verdade. Primeiro, o que eu tenho? Segundo, o que eu fiz? Terceiro, estou inteiramente nas mãos de terceiros que nem conheço. Não há respostas. Simplesmente um pouco de Ivan Ilitch do Tolstoi, mas não de todo, pois tinha muita gente que eu amava do meu lado. Não me senti sozinho no coração, somente na dor. Ainda bem, não queria mais ninguém comigo naquilo. Eu queria apenas sair.
Impotentes... É isso que somos e ponto. Sofrimento, inexorável. Para que tudo então? Respondo: por causa da ternura e do amor dos próximos. Vale a pena. Até DEUS se fez carne para estar conosco e compartilhar emoções. Assim, concluo, temos que ficar com aqueles que temos no coração. Há situações em que não se tem ninguém. Triste. Difícil. Mas, "impotentes" é o que somos. Só não compreendo bem quem se afasta deliberadamente… Porém, não julgo.
SK
A Morte de Ivan Ilitch é o absurdo de uma vida sem relaçōes autênticas.
ResponderExcluirÉ mentir que se casa , que se é pai, que se é amigo.
A doença e o morrer...
a vida, quer dizer, morte real...
A doença e a morte são o ponto mais real da vida.
Ivan Ilitch só entrou em contato com a realidade quando adoeceu. Até então , não tivera noção do que era viver...até começar a morrer....
GP
Pergunto-me... Será? Penso mais como um fato de que cada realidade em que vivemos seja uma verdade em si. Temos que considerar que nosso Ivan, se tivesse sofrido um acidente, teria vivido sim, mas sem conhecer a realidade de uma doença terminal não-identificada. Falar que uma criança não viveu por não ter experimentado tudo é, no mínimo, inconsistente. Afinal a vida, fisicamente existiu. Agradeço ao Tolstoi, que por meio do Sr. Ilitch, nos mostrou, ao menos mentalmente, um pouco dessa realidade sem termos que passar por isso de VERDADE.
ResponderExcluir