sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Strange Stanley

Comentar sobre a vida e obra de Stanley Kubrick, talvez seja mais um lugar-comum. Bom, paciência.... Escreverei , assim mesmo. Adoro divagar sobre este grande artista!
Entrei , de fato , em contato com o universo Kubrickiano , só após sua morte( 1928-1999). Em 2004 , lia um pequeno livro sobre a História do Pensamento Econômico. Logo no início, o autor citava um Matemático e Economista Judeu-Austríaco que migrara para os Estados Unidos , chamado John von Neumann. Este economista criara a Teoria dos Jogos. Um modelo de como tomar decisōes ,racionalmente produtivas , para minimizar os riscos e potencializar os benefícios . Muitas vezes contrárias ao senso-comum. Dizia-se que o Presidente dos EUA chamava , frequentemente, von Neumann para pedir conselhos.
À despeito do fato do mesmo encontrar-se doente(leucemia) . Em uma Cadeira de Rodas.
Para o autor do livro, a alusão era clara: John von Neumann era o " Dr. Fantástico", personagem central do filme que tornou-se um clássico sobre a Guerra Fria. A película tinha sido dirigida por Stanley Kubrick.
Isto mesmo! O diretor de " 2001 Uma Odisséia no Espaço".
Pra mim foi um choque!
A mera existência de um filme que fizesse alusão a este gênio matemático deixou-me fascinado.
Procurei a exaustão. Tarefa árdua. Só pude encontrá-lo em uma locadora de filmes alternativos. Finalmente, pude assistir ao filme. Qual não foi minha surpresa! O filme era ,espetacularmente, Bom! Melhor, era Ótimo!
Peter Sellers dava vida a três personagens! Pasmem, três!!!
Os diàlogos ácidos. As tomadas aéreas. As angulaçōes. As seqüências caricatas. Tudo incrivelmente fascinante! Uma obra de arte! Incontestavelmente, um filme cômico, do horror de viver na iminência da aniquilação da humanidade. Uma risada Sardônica.
Como ? Um mesmo diretor tinha conseguido fazer filmes tão bons de gêneros , totalmente, diferentes?
Resolvi rever "Laranja Mecânica".
Bem...! Um filme cujo personagem central era um sociopata apaixonado por Beethoven?! Fiquei estarrecido! Kubrick não era apenas ótimo , era GENIAL!!! Já a primeira cena do filme era de uma qualidade artística sublime. A câmera focada no rosto do protagonista Alex, ia ampliando ,lentamente..., até mostrar um cenário por completo, com um misto de futurismo, apelos sensuais, visual "old-fashion"(cartolas e bengalas) , um ambiente que lembrava um "pub". Jovens nihilistas.
Que tipo de diretor era este que mostrava tanta ousadia e bom-gosto??
Era como se Kubrick tivesse pintado um quadro.
Lentamente , afastando-se... até que , de repente , o quadro pudesse ser visto por completo. Mas , durante todo o processo de ampliar o enquadramento, cada "fase" fosse uma pintura diferente! Formidàvel!
Isso só pra descrever a abertura...
Todo o filme é de uma enorme riqueza estética e filosòfica .
O tema central é o livre arbítrio. A direito do homem a ,deliberadamente , decidir fazer o Mal . Chocante!
Debrucei-me na missão de ver os filmes deste Gênio:
" 2001 , Uma Odisséia no Espaço" ,
"De Olhos Bem Fechados",
" Barry Lyndon" ,
" Nascido para Matar",
" O Iluminado",
" Lolita",
" Spartacus"( este último não foi um filme, totalmente ,Kubrickiano, pois houve muita ingerência do produtor e ator principal Kirk Douglas. A pesar de tudo é um maravilhoso filme do gênero Greco-Romano).
Entrei em êxtase! Todos os filmes eram Excelentes! Todos Clássicos . Gêneros diferentes da sétima Arte.
A fotografia, os figurinos, as trilhas sonoras , as discussōes filosóficas suscitadas pelo roteiro formam um todo que é maior que a soma das partes.
A estética harmoniza-se , perfeitamente , com as idéias.
O Conteúdo e a Forma.
Os filmes mais antigos como: " A Morte Passou por Perto" , " o Grande Golpe" e " Glória Feita de Sangue" são bons e mostram sinais embrionários do talento deste Artista.
Naturalmente, Hollywood ignorou este Gigante . Kubrick era grande demais para ser , facilmente, reconhecido.
Kubrick rebelou-se , ferozmente, contra a manipulação das suas Obras.
Mudou-se para Inglaterra. Conseguiu autonomia financeira. Enfim pode fazer o que quisesse e como quisesse.
Não sucumbiu à tentação de dirigir e produzir filmes " banais".
Agradar os " cretinos fundamentais ".
Ser um tremendo sucesso de bilheteria mas um fracasso artístico e moral. Não!!! Nunca!!!
Não vale a pena!
Kubrick rejeitou "vender fácil o que não tinha preço".
Hollywood vingou-se.
Negou-se a reconhecer esse talento com um Oscar.
Pensando bem...
Talvez esta negativa tenha sido a sua maior homenagem!

Grigori Perelman

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